3ª Viagem Missionaria

Eu queria poder dizer pra todo mundo o que foi aquilo que eu vivi lá, queria conseguir por em palavras o quão incrível foi cada momento ali. Por mais que às vezes eu conte como foi, diga os sabores e risadas, os desafios e as renuncias pelas quais passei eu não consigo expressar exatamente o que presenciei. Então, eu queria levar todo mundo pra lá. Levar todo mundo pra que eles também possam sentir isso, viver o mesmo que eu vivi. Poder levá-los pra aprender mais alguns versículos em xikrin, ensinar (e aprender muito mais) as minúsculas diferenças do kayapó. E, lembra-los sempre, por favor, não os chamem de kayapó pois é quase como uma ofensa.

Queria poder abrir com minhas próprias mãos os olhos dos que ainda relutam em conhecer esse trabalho, assim como Deus abriu os meus para algo muito além do que eu poderia cogitar imaginar. Levar todos para viver desconectados do mundo que conhecemos, sem comunicação externa, ao ponto de se perder nas horas e nos dias. Saber apenas quando o sol nasce, quando a fome vem, quando o sol se põe e daqui a pouco tem culto; ele termina, e as crianças nos prendem até o cansaço bater. E no outro dia, é a mesma coisa. Queria fazê-los sentir a emoção de receber um nome, de ser considerado família, de ter a mesma importância de alguém que mora a vida toda com eles, mesmo estando apenas duas noite juntos.

Queria poder alertá-los sobre como as indígenas chorarão na última noite que estivermos, já de saudade. Só para que então, eu possa vê-los chorando quando perceberem que estão indo embora e quão gracioso foi Deus por tê-los dado tal oportunidade de estar ali, mesmo que por apenas alguns dias.

Levar todos para viverem completamente nas dependências de Deus, sendo supridos exatamente naquilo que precisamos, sem luxos ou excessos. Até percebermos que não precisamos dessas coisas, pois quando encontramos nossa felicidade no Pai, o restante é consequência, segundo plano.  Mostrar que essa felicidade é tamanha que o resto não importa, simplesmente não importa!

Queria poder mostrar o quão verdadeiro, e bem maior do que pensamos, é o corpo de Cristo. Num lugar sem conexão, numa cultura totalmente diferente e em outro idioma, ainda há algo que nos liga, e é bem mais forte do que a mais potente banda-larga do mundo evoluído. Uma conexão capaz de vencer “pré-conceitos” e preconceitos, barreira linguísticas, cansaço, mal humor e tudo aquilo que pode vir a tentar nos fazer desistir. O amor de Deus que nos conecta e nos faz amar o irmão que está ao lado na igreja, é o mesmo amor que vence tudo isso, de uma forma tão incrível, tão incrível, que por um momento você esquecerá de onde está, das diferenças, de tudo. O amor de Cristo nos unirá e será o suficiente. Por um breve momento, você pensará em como será o grande dia, que se ainda com poucos irmãos como esses você sente algo assim, inexplicável, imagine quando de fato, formos um só corpo, louvando a Deus pela eternidade…

E, por favor, não se esqueçam, jamais confundam com kayapós. Nós somos xikrins.

1 thought on “3ª Viagem Missionaria

  1. A questão de não gostarem de lhes chamarem assim, foi por conflitos do passado… Ainda acontece, mas não deveria acontecer, nós somos e devemos ser um corpo, e eles também. Conheço alguns indígenas (cristãos) que não se importam mais com isso e louvo muito a Deus, pois essas barreiras necessitam ser quebradas.

    Um abraço minha irmã 🙂

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