Porque A Postura Importa Na Adoração

Enquanto crescia, eu era o maior fã de Michael Jordan. Eu regularmente escrevia para ele para pedir um autógrafo e convidá-lo para minhas festas de aniversário. Eu estava convencido que um dia seria tão bom quanto ele, então finalmente depois de muito apelo, meus pais me enviaram para um acampamento de basquete quando eu era pré-adolescente. Eu odiei aquilo. Não foi nada além de dribles e técnicas de arremesso livre adequadas. O técnico gritava “Dobre seus joelhos. Acompanhe. MILLER! DOBRE SEUS JOELHOS! ACOMPANHE!” Eu não era um atleta nato e isso foi vergonhoso. Eventualmente eu percebi que nunca seria o próximo Air Jordan, mas eu cheguei a um ponto onde arremessar com a postura adequada não parecia tão desconfortavelmente vergonhoso – pareceu natural.

A postura importa. Quando um rapaz encontra uma moça que ele quer impressionar, ele fica em pé corretamente, ombros para trás, barriga para dentro. Ele mantém contato visual e sorri. Quando ele quer propô-la em casamento, se apoia sobre um joelho. Quando faz uma grande besteira e precisa se desculpar, são dois joelhos. Se alguém aponta uma arma para você, suas mãos se levantam se rendendo. Se seus filhos querem que você os segure ou dê carinho a eles, eles levantam seus braços. Em eventos esportivos, quando seu time pontua, você pula no ar, agita os punhos e grita o mais alto que pode. Quando o árbitro faz uma má marcação, você joga suas mãos para cima em frustração e vaia vigorosamente. Seu coração é pego na experiência do momento, o que causa que seu corpo responda exteriormente.

Fomos criados como seres holísticos com intelecto, emoções e corpos, todos trabalhando em um concerto um com o outro para expressar-nos. Dependendo do estudo, aprendemos que em qualquer lugar, de 70 a 95 por cento da comunicação é não-verbal. Dizemos muito a respeito do que pensamos e sentimos sem externar uma só palavra.

Expressão exterior, realidade interior

Paulo escreve em 1 Timóteo 2:8, “Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda.” Ele está se referindo a várias passagens do Velho Testamento onde pessoas eram encorajadas a orar e adorar usando posturas específicas – nesse sentido, levantando as mãos. O rei Davi, o inovador da música na adoração corporativa, escreveu centenas de músicas com o propósito de atrelar a mente, coração e corpo em adoração. Ele entendeu que a postura expressa exteriormente uma realidade interior. Nosso corpo naturalmente age da forma que nosso coração se sente. Então vemos encorajamentos através das Escrituras para externar humildade, levantar as mãos prazerosamente, gritar e cantar em alto som, bater palmas e até mesmo dançar diante do Senhor. Isso deve ter parecido estranho para as pessoas da época, que nunca tinham visto algo como isso.

Similarmente, temos sido moldados por nossas experiências e podemos estar tentado a renunciar essas posturas para evitar se sentir envergonhados ou desconfortáveis, dizendo, “Isso é para outras pessoas. Eu estava de pé (seja qual for a denominação), e nunca tínhamos feito isso. Fazendo isso, não percebemos como nossa postura é moldada pelo nosso coração. Expressividade exterior em adoração corporativa não é o único indicador do nosso deleite no Senhor, mas pode ser algo que o diga.

Deus quer tudo de nós

Ainda assim, a postura de adoração não significa a mesma coisa em cada contexto e congregação. Em congregações mais tradicionais ocidentais, é possível que a forma mais expressiva de adoração que vejamos sejam pessoas simplesmente sorrindo conforme nós cantamos fervorosamente e em alto som ricas verdades doutrinárias e nossos corações se deleitam nEle. Em contextos mais contemporâneos, nós podemos erguer nossas mãos conforme crescemos mais completamente consumidos pela adoração de Deus. Podemos nos curvar diante de Deus conforme nos tornarmos mais completamente imersos em um profundo senso de humilde e reverencial adoração. Ainda assim, não importa o contexto, conforme nós experimentamos a realidade interior do coração de adorar a Deus com tudo que somos, nossos corpos revelam a condição dos nossos corações. Esse é o motivo pelo qual Deus quer mais de nós do que irmos através de emoções externas sem de fato adorarmos. O fruto da nossa expressividade exterior revela a raiz dos nossos corações.

Certamente há momentos quando devemos permanecer em silêncio perante Deus – isso em si é uma postura de adoração. Entretanto, se nós conscientemente nos encontrarmos na adoração corporativa com braços cruzados, balbuciando palavras com um olhar vítreo, entediado, ou sem expressão na nossa face, essa postura indica que podemos não estar experimentando uma adoração interna de coração, reflexão e reverência que é característica de um verdadeiro e espiritual louvor. Porém, melhor do que forçar nossas mãos para o ar, deveríamos pedir a Deus para nos levar para perto dele e procurar como ele deseja ser adorado. Deveríamos suplicar-lhe para cativar nossos corações e revelar qualquer pecado que possa estar impedindo-nos de ver e saborear com tudo o que somos.

Deus quer nossos corações, não somente sorrisos falsos, braços levantados ou joelhos dobrados. Ele quer mais que simplesmente nossos brados ou nossas canções. Ele quer mais que simplesmente nosso intelecto teológico. Ele quer tudo de nós.

*Nota da equipe Eco’s: Para não gerar dúvidas, o trecho ‘‘dançar diante do Senhor”, diz respeito a evidências da Escritura de que pessoas louvavam desta forma. Apenas isso. Não é uma motivação à danças litúrgicas ou algo do tipo.

 

Por: Stephen Miller. Copyright © The Gospel Coalition. Original: Why Posture Matters in Worship.

Tradução: Matheus Fernandes. Revisão: Filipe Castelo Branco. Original: Porque a postura importa na adoração.

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