Cristianismo Puro e Simples: I

O que significa ser um cristão? Nosso objetivo com essa série é conversar e refletir sobre o que significa ser cristão. O que as pessoas pensam que é ser um cristão? O que o mundo tem visto da igreja e do cristão através do que você entende ser um cristão? Em outras palavras, nosso objetivo é entender o que significa ser cristão na sua essência: Seria frequentar uma igreja com regularidade? Seria conhecer alguns dogmas bíblicos e teológicos? Seria obedecer a determinadas regras?

Eu queria convidar vocês para conversarmos sobre o cristianismo, nas palavras de C.S. Lewis, puro e simples. E isso tem a ver com a pergunta: O que realmente significa ser cristão no seu sentido mais essencial, sem acessórios, sem rodeios?

Com essa pergunta em mente, não há como começarmos a falar do que significa ser Cristão sem a compreensão exata de quem Jesus é! Há boas razões para começarmos por Jesus na compreensão do que é ser cristão. John Stott, no livro Cristianismo Básico, nos diz que nossa inquietação com respeito ao Cristianismo deve começar com a pessoa de Cristo.

  • Porque o cristianismo é essencialmente Cristo.

Se você tirar Cristo do cristianismo acabou tudo. O cristianismo não é uma filosofia ou ideologia que se torna viável sem a pessoa de Cristo. Por exemplo, se em algum momento alguém provasse que Albert Einstein não foi um personagem histórico, os físicos e matemáticos diriam, não importa se Einstein existiu ou não. O que importa é que as teses e teorias a ele atribuídas são verdadeiros e relevantes para toda ciência moderna. Agora, se alguém provasse que Jesus não foi um personagem histórico, então acabou! Não há como sustentar o cristianismo sem a pessoa de Cristo.

  • Porque se Jesus é Deus, o resto não importa.

Alguns tem resistência ao cristianismo por uma dificuldade de crer em histórias que ouvem ou leem, de que Jesus olhou para um paralítico e disse – levanta e anda! – e este de um salto, começou a andar. Você já viu isso acontecer alguma vez? Mas, se você chegar a conclusão que Jesus não é um mero homem, nem um mero rabi, mas o próprio Deus encarnado vivendo entre nós, então tudo é possível porque não estamos lidando com um homem, mas o próprio Criador e sustentador do universo! Se crermos que Jesus é Deus, então não precisamos discutir se as outras coisas que são ditas a respeito dele são viáveis ou não.

“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. João 14:6

Jesus indagou Filipe dizendo: Como você me diz que não consegue enxergar o Pai, o Deus Criador, estando eu na sua presença há tanto tempo? Olhe para mim! Quem me vê a mim vê o Pai. Eu e o Pai, o Deus criador, somos a mesma pessoa.

Logo, ou nós cremos que Ele é realmente o Deus Criador e nos rendemos completamente a tudo que Ele fez e disse ou, então, só nos restará crer que Ele foi um grande charlatão. Não há meio termo.

Ao analisarmos essa pergunta: “Quem é Jesus?” percebemos que ela não é nova. Primeiros os fariseus; mas não só os religiosos, também os governantes e até mesmo os próprios discípulos. Era a pergunta que circulou pelas multidões.

 

 “Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou agitada e perguntava: Quem é este?”  Mateus 21.10

 

E num dado momento, o próprio Jesus resolve fazer uma pesquisa. Jesus pergunta: “Quem os outros dizem que o Filho do Homem é?”. E as pessoas estavam dizendo: João Batista, Elias ou algum dos profetas. Depois Jesus pergunta: “E vocês quem dizem que Eu sou?”. Aqui Jesus faz uma construção paralela proposital, dando a resposta à própria pergunta. Diante disso, Pedro responde: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. O grande problema é que às vezes nos esquecemos de que essa afirmação não foi feita por Pedro no primeiro dia em que Ele viu Jesus. Essa afirmação de Pedro é fruto de um processo. E essa é a primeira coisa que devemos refletir…

Crer plenamente em quem Jesus é, é fruto de um processo e não de um ato.

Jesus não tem pressa. Há muitas pessoas que tem pressa de ver outros queridos seguindo Jesus. Mas, Jesus não tem pressa nem comigo, nem com você. A estratégia de Jesus nos evangelhos nunca foi encontrar uma pessoa pela primeira vez e coloca-la contra a parede e dizer: “Você crê em mim?”. Sua estratégia sempre foi marcada pelo “Venha e veja”.

É esse o convite que quero fazer: torne-se primeiro um seguidor de Jesus. Isso não significa crer nele. Apenas observar, ouvir, ver e conhecer. Porque você nem pode dizer que crê em quem você não conhece, nem tem o direito de dizer que não crê que Jesus é quem ele disse ser, se você se nega a conviver com ele. Se você quer tirar uma conclusão honesta, você tem que seguir.

Aqueles que aceitam o desafio de seguir Jesus para ouvir o que ele tem a dizer, para perceber o que ele faz, têm, ao longo do caminho, dúvidas. Existe um tempo entre a sua decisão de ir e ver o que Jesus faz e o crer plenamente em quem Jesus é.

É fruto de uma experiência que envolve o intelecto, mas não se restringe a ele.

E esta é uma verdade que nos coloca em nosso devido lugar. Eu posso ter as explicações mais lógicas e os insights mais fantásticos do universo, mas se Deus não revelar para você quem Jesus é, se Ele não abrir uma cortina em sua mente e não tocar seu coração você não vai conseguir crer. Se Deus não abrir nossas mentes e corações, jamais seríamos capazes de crer por nossas próprias forças, com uma mente formada por dois séculos de positivismo.

Concluindo: crer plenamente em quem Jesus é demanda convivência, relacionamento.

Por isso o desafio para você que ainda não se define como cristão convicto ou que se sente inseguro por conta de dúvidas que tenha em seu coração é aceitar o convite que Jesus faz para segui-lo: “Venha e veja”. Não tenha medo.

Para você que quer ver seus parentes ou amigos seguindo Jesus, lembre-se: Jesus não tem pressa. Não os coloque na parede para crer. Convide-os a vir e ver. Convide-os a conviver com Jesus. A ler as palavras de Jesus e refletir sobre seus atos.

Também, lembre-se que ao longo dessa caminhada você tem de ter a humildade de pedir a Deus que abra seu coração e sua mente para ver e entender quem Jesus é. Nosso papel é começar essa caminhada. É estabelecer ou restabelecer essa jornada um dia perdida. E o papel de Deus é abrir nosso coração para crer.

 

Baseado na série de pregações: Cristianismo Puro e Simples, do Rev. Jônatas Cunha (@JonatasDaNanda)

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