Cristianismo Puro e Simples: II

Se você ainda não leu a primeira parte desse estudo, clique aqui e acompanhe!

 

O que significa ser cristão no seu sentido mais básico? O que o mundo tem visto da igreja e do cristão através do que você entende ser cristão? Em outras palavras, nosso objetivo é entender o que significa ser um cristão na sua essência: Seria frequentar uma igreja com regularidade? Seria conhecer alguns dogmas bíblicos e teológicos? Seria obedecer a determinadas regras? Essa foi a nossa reflexão no último post.

Vimos que o primeiro passo do que significa ser cristão significa essencialmente crer plenamente que Jesus é quem Ele disse ser: Cristo, o filho do Deus vivo. Ninguém pode crer em quem não conhece, nem tem o direito de dizer que não crê quando se nega a conviver com Ele e conhecê-lo. Por isso, o desafio que ficou foi: siga Jesus, aproxime-se dele para que você o conheça e possa dizer com honestidade se você crê ou não que Ele é quem Ele disse ser.

No entanto, Jesus não para por aí. O ponto sobre o qual refletiremos nesse post é de central importância para toda reflexão e vivência da espiritualidade cristã. Há muitos que se dizem cristãos, mas não o são de fato porque não entenderam e não se renderam a verdade central do cristianismo puro e simples. Ser um cristão significa essencialmente render-se completamente ao que Jesus fez.

Mas, o que Jesus fez? Talvez, no evangelho de Mateus tenhamos uma sugestão:

“E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades” Mateus 9:35

Ele ensinava nas sinagogas, pregava as boas novas do Reino e realizava curas e milagres, no entanto, apesar de todas estas coisas serem fantásticas, quando somos convidados a nos rendermos ao que Jesus fez, tudo isso é periférico. A nossa rendição a Jesus não se dá porque os seus ensinamentos eram sábios, porque as boas-novas do Reino empolgavam ou porque as curas e milagres eram maravilhosos. Tem gente que se atrai a Jesus tão somente buscando a cura, os benefícios ou sua sabedoria. Todavia, o cerne do verdadeiro cristianismo está num espaço diferente ― a cruz!

E mesmo depois de conviverem e conhecerem Cristo, os discípulos ainda não entendiam perfeitamente o significado daquilo que ele veio fazer no mundo.

“E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá.” Mateus 16:22

O fato de Pedro rejeitar o que Jesus havia dito revelava como ele, apesar de crer em quem Jesus é, ainda alimentava expectativas irreais sobre o que Jesus tinha vindo fazer. Tudo isso era muito estranho para eles porque eles esperavam que Jesus fosse para Jerusalém, assumisse o poder e destruísse o poder de Roma, reinstalando o reino de Israel como no período de Davi e Salomão, fazendo de Israel a grande nação.

É por isso que Jesus diz que se alguém quer ser cristão verdadeiramente e quer experimentar tudo que Ele prometeu, precisa negar a si mesmo ― isto é, render-se completamente ao que Ele disse que veio fazer. E o que ele disse que veio fazer?

Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” Lucas 19:10

“Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Marcos 10:45

Jesus veio para entregar-se na cruz em nosso lugar. O cerne da nossa rendição está naquilo que Jesus Cristo veio fazer na cruz por nós. Ser cristão essencialmente significa, portanto, render-se completamente ao que Jesus Cristo fez na cruz em nosso lugar.

Por que Jesus teve de morrer? Por que Deus não poderia simplesmente perdoar todas as pessoas ou, pelo menos, os que se mostram arrependidos de seus erros? Tim Keller, ao ouvir com frequência esta pergunta, argumenta que em qualquer relacionamento onde exista algum dano ou prejuízo o custo será pago por alguém.

E foi isso que Deus fez. Perdão significa assumir o custo ou o dano gerado pelo ofensor. O ofensor é todo o ser humano. O homem desde o princípio resolveu romper com o Deus Criador e virar as costas para ele. Basta ver a cultura de rebeldia em que vivemos, a forma como o homem fere o seu semelhante também criado a imagem de Deus, e o que fizemos com a natureza que Deus nos deu para perceber isso… nós estamos em dívida sim! E por isso merecemos a sua justiça.

Todavia, Deus não fez com que outro, senão ele mesmo, fosse alvo da punição merecida pela humanidade. O Deus criador entrou na história na pessoa do Deus Filho encarnado, viveu uma vida santa e justa, e morreu naquela cruz assumindo o custo da justiça para nos perdoar e nos reconciliar com o Pai e dizer: não existe mais dívida.

Mas, sabe o que faz muita gente acordar cedo para orar? Elas acham que existe uma dívida. Sabe o que faz muita gente vir todo domingo a igreja? Elas acham que existe uma dívida. Sabe o que faz muita gente procurar ser boazinha, contribuindo com entidades beneficentes e fazer o bem para aqueles menos favorecidos? Elas acham que existe uma dívida. Todavia, Deus decidiu nos perdoar morrendo naquela cruz. Ele pagou a sua conta e a minha, por isso: Não existe mais dívida!

“E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós…” Colossenses 2:13-14

Isso significa que não há outra maneira de receber o perdão de Deus senão por meio da cruz de Cristo. Somente por meio da cruz esta nossa dívida é cancelada. Não são as práticas religiosas, as boas ações generosas, os esforços… apenas a cruz. As pessoas que entendem isso, passam a acordar cedo para ler a Bíblia porque querem ter um relacionamento profundo com esse Deus; passam a ir todos domingos a igreja porque sentem um profundo prazer em adorá-lo e meditar em suas palavras junto com outras pessoas; passam a viver de maneira bondosa porque querem se tornar servos por amor ao Deus que tudo fez por eles.

Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave. Isso significa que o cristianismo não é uma questão de confiarmos no que podemos fazer por Ele ou de confiarmos no nosso amor por Ele. Viver o cristianismo puro e simples é uma questão de nos rendermos plenamente ao seu amor por nós e confiarmos completamente no que Ele fez por nós.

Portanto, ser um cristão essencialmente significa crer que Jesus é o Deus Criador e render-se completamente ao que Ele fez por nós na cruz.

 

Baseado na série de pregações: Cristianismo Puro e Simples, do Rev. Jonatas Cunha (@JonatasDaNanda)

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