O Pecado e a Graça

“Não deixem nunca mais que o pecado controle esse corpo fraco de vocês; e não cedam aos seus desejos pecaminosos. Não deixem que nenhuma parte de seus corpos seja instrumento do mal, usada para pecar. Antes entreguem-se inteiramente a Deus – o corpo todo – pois que vocês voltaram da morte e desejam ser instrumentos nas mãos de Deus, usados para seus bons propósitos. Será que vocês não compreendem que podem escolher seu próprio senhor? Podem escolher o pecado (com a morte) ou então a obediência (com a absolvição). Aquele a quem você mesmo se oferece, este o tomará, será o seu senhor e você será escravo dele.” Romanos 6: 12,13,16 – Bíblia Viva

Essas palavras fortes mostram o poder que podemos dar ao pecado em nossa vida. Depois que o pecado domina, tornando-se mestre na vida de uma pessoa, as trevas prevalecem; onde reina as trevas, o inimigo tem poder para dominar e controlar.

A partir do momento em que a mente de uma pessoa é controlada pelo pecado, ela fica menos sensível à voz do Espírito Santo. Em outra epístola, Paulo usa a mesma ideia encontrada no capítulo um de Romanos para descrever isso.

“E digo isto e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade do seu sentido, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus, pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração, os quais, havendo perdido todo sentimento, se entregaram à dissolução, para com avidez, cometerem toda impureza.” Efésios 4: 17-19

Trevas na mente significa falta de luz no pensamento e no agir. Quanto mais a pessoa se entrega ao poder do pecado, mais dura fica com relação a Deus. Ela pode ainda frequentar a igreja, cantar todos os louvores e cânticos de adoração e até apreciar uma boa pregação, mas seu coração empedernido a impede de sentir o Espírito Santo impulsionando-a ao arrependimento. Quanto mais uma pessoa peca, mais densa a insensibilidade se torna. Por fim, ela se encontrará tão endurecida, que não conseguirá mais discernir a verdade por si mesma. Embora ela, possivelmente, ainda tenha alguma compreensão da doutrina, a Verdade foi efetivamente excluída de seu coração.

“Em vez de crerem naquilo que eles próprios sabiam ser a verdade sobre Deus, escolheram de vontade própria crer em mentiras”

Sobre o impedimento da verdade, Paulo diz que as pessoas “detêm a verdade em injustiça” (Romanos 1:18). Literalmente, ele quer dizer controlar a verdade ou reprimi-la. A situação é que o Espírito Santo tenta atravessar as trevas de seu pensamento com a luz de Jesus, porém, algo se rebela dentro da pessoa e a faz se afastar da verdade. Ele continua introduzindo pensamentos na mente do homem, mas o homem não Lhe dá ouvidos. Ele não quer ouvir a voz do Senhor porque sabe que isso significaria desistir do que sua carne deseja. A verdade não somente é ignorada, mas também o engano agora entra em cena. A pessoa que se engana, diz a si mesmo para justificar seu pecado frases como: “Estou andando com Deus, só tenho este probleminha”, ou “Estou passando agora por um período difícil de minha vida, eu sairei dele”, “Deus entende que eu sou um homem e que tenho paixões naturais”.

Não podemos nos conformar com nossa natureza caída e pecaminosa. Uma das razões pelas quais saímos dos caminhos do Senhor neste século é porque tem ocorrido um declínio gradual, mas definido, da percepção da natureza maligna do pecado. Aqueles que têm uma compreensão superficial do horror do que é pecar tomarão uma posição fraca contra ele. Essa perda coletiva da vergonha do pecado foi promovida também pelos ensinos da “super graça”, que floresceu dentro das igrejas. O Teólogo Dr. Michael Brown diz:

“Existe um oceano de graça esperando por nós, convidando-nos para mergulharmos e nadarmos. Não existe fim para sua profundidade ou duração, e mesmo ao longo de eras infinitas de eternidade, reverenciaremos a maravilha disso tudo. Muitas pessoas estão distorcendo involuntariamente a graça de Deus, transformando-a em uma licença para pecar”.

Existem legalistas que parecem esquecer que a salvação é pela graça, e não por obras, por outro lado, existem pessoas que parecem esquecer que a salvação pela graça inclui a libertação do pecado, como também o perdão dos pecados. Jesus disse que viria para salvar seu povo dos seus pecados (Mt 1.21). Muitos não querem ser salvos de seus pecados, querem apenas ser salvos do inferno. Como um ladrão que chega perante o Juiz suplicando para não ser enviado para a prisão. Ele não tinha a intenção de parar com o comportamento que o deixou em apuros, ele só queria escapar da sentença.

Deus graciosamente revogou as exigências da Lei, agora Ele apenas espera a confissão e o arrependimento sincero.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça.” 1 Jo 1:9

Os que imaginam que podem continuar sem arrependimento por seus pecados, estão dizendo: “Não quero ser limpo, só quero ser perdoado”.

“A graça não é somente um dom, é uma séria responsabilidade. Um homem não pode continuar levando a vida que tinha antes de encontrar Jesus Cristo. Ele deve ser vestido com uma nova pureza, com uma nova santidade e com uma nova bondade. A porta está aberta ao pecador, mas não para vir e permanecer um pecador, mas para vir e tornar-se um santo.” (William Barclay)

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