De Onde Me Virá o Socorro?

Imagine você, preso em uma ilha deserta. Sem recursos, fora o que sobrou do seu naufrágio, sem companhia e, principalmente, sem esperanças. Que cenário trágico. Um cenário em que se encontrou um homem, personagem de ficção. A obra Robinson Crusoe, que conta essa história, tem a seguinte citação que me fez meditar sobre algumas verdades:

“Abri o livro [bíblia] casualmente e as primeiras palavras que me surgiram diante dos olhos foram as seguintes: ‘Recorrerei a mim nas aflições: eu vou livrarei e vós me glorificareis’. As palavras eram muito adequadas a meu caso e fiquei impressionado ao lê-las, embora não tanto como fiquei mais tarde. De fato, quanto a livrar-me daquela situação, a frase me parecia sem sentido. Essa possibilidade se apresentava tão remota, tão impossível à minha razão conturbada que, assim como disseram os filhos de Israel, quando lhes prometeram carne para comer – ‘Pode Deus por a mesa no deserto?’ – assim perguntei eu também: ‘Poderá o próprio Deus livrar-me deste lugar?’ Tais pensamentos me ocorriam frequentemente, porque só depois de muitos anos comecei a alimentar esperanças.”

Perceba, em um momento de pura aflição ele recorreu ao Senhor. Tantos de nós sabemos que é esse o caminho que devemos seguir, até mesmo alguns incrédulos tomam essa decisão quando se veem em um momento de aflição. A questão é mais profunda: seu coração sem esperança e sua razão cega o fizeram questionar se o Todo-Poderoso Deus seria capaz de livrá-lo daquela situação, e esse cenário é tão comum quanto o primeiro.

A verdade é que ele não confiava em Cristo. E quantas vezes isso não acontece com a gente? Sim, nós que falamos e professamos uma fé em Cristo Jesus, muitas vezes, não confiamos verdadeiramente Nele.

Nós nos encontramos em um buraco de pecados cada vez mais fundo, e por isso nos colocamos na posição de uma pessoa em uma ilha deserta: sozinhos. Lemos Elevo meus olhos para o monte, de onde me virá o socorro?” Salmo 121:1. Mas, não continuamos. “O meu socorro vem do SENHOR que fez os céus e a terra.” Ele é a nossa companhia e o nosso “refúgio na tribulação”, como diz o hino.

POR QUE NÃO CONFIAR?

Nós não compreendemos a dimensão de quem Deus é e do que Ele pode fazer por nós. Somos pessoas tão limitadas que enxergamos as coisas desse mundo como as únicas coisas proveitosas para nós e vemos as nossas circunstâncias terrenas de um sofrimento efêmero como eternas. Não sabemos viver sem os mimos desse mundo.

Nosso pecado nos impede de enxergar ao Senhor com clareza.

Perguntamos “de onde me virá o socorro?”, com descrença. Não alimentamos o nosso coração com a esperança da eternidade e da confiança no Deus eterno.

Posso dizer, com sinceridade, que em alguns momentos de batalha espiritual eu preferi me isolar de tudo e todos, me colocar nessa posição de “sofrimento inigualável”. Mas estava tão enganada. Era o meu pecado falando, o meu egoísmo e a minha mania de acreditar que o mundo deve girar ao meu redor. Afinal, ouvimos desde sempre que devemos levar a sério essa preposição de que somos o umbigo do universo. Não somos.

Quando você passa a entender o que realmente é importante, a confiança em Cristo é de fato restaurada.

E O QUE É IMPORTANTE?

Cristo trata conosco de verdades eternas. Ele se preocupa com a condição de nossa alma. Um pouco mais à frente, o livro diz:

“Comecei, então, a vislumbrar na frase antes mencionada – ‘Recorrei a mim e eu vos livrarei’ – um sentido diferente do que lhe emprestara até ali. De fato, não tinha noção alguma do que fosse livramento, exceto a que me ficara de minha libertação do antigo cativeiro. Embora contasse com muito espaço, para mim a ilha não passava, realmente, de um cativeiro, e da pior espécie. Aprendi, porém, a considerá-lo de outro ponto de vista. Rememorava minha vida anterior com tal horror e tão terríveis me pareciam meus pecados, que só pedia a Deus redimir-me das pesadas culpas que me angustiavam. Minha vida solitária não tinha importância. Não pedi para livrar-me dela, nem mesmo pensei nisso. Era uma coisa de todo insignificante em comparação com o resto. E aqui desejo acresentar, como um aviso a quem quer que leia estas linhas, que, para os possuidores da verdade, a redenção do pecado é uma benção muito superior ao alívio das aflições materiais.”

Ele aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação (Felipenses 4:11), pois tudo pode naquele que o fortalece (4:13).

Quando nossa alma se alegra na salvação, as outras condições são só detalhes. A nossa paz não é roubada. A nossa confiança em Cristo não é quebrada. Quando clamamos por socorro deve ser por que nossa alma precisa de Jesus, mas as circunstâncias exteriores na qual nos encontramos pouco importam.

O salmista pergunta “de onde me virá o socorro?” Ele mesmo responde:

  1. O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra.
  2. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda.
  3. É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel.
  4. O SENHOR é quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita.
  5. De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua.
  6. O SENHOR te guardará de todo o mal, guardará a tua alma.
  7. O SENHOR guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre.

SALMO 121

Que essa seja nossa afirmação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.