A Revelação Natural de Deus

“O amor é a única coisa que somos capazes de perceber que ultrapassa as dimensões do tempo e do espaço, talvez devamos confiar nele mesmo que não o entendamos ainda.”

A frase acima é uma citação do filme Interestelar, co-produzido por três grandes estúdios americanos e dirigido por Christopher Nolan. Lançado no final de 2014 e vencedor de um Oscar, a obra foi um enorme sucesso na época do seu lançamento e até hoje é conhecido como um dos longas de ficção científica com melhores avaliações do público e da imprensa especializada, com uma média de 4 estrelas, numa escala de 5.

É interessante notar, na locução transcrita, a veracidade bíblica envolvida. Essa frase é análoga ao texto encontrado em Romanos:

       “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Romanos 8:38-39

Ambos dissertam sobre o amor e a sua resistência às adversidades. O trecho hollywoodiano fala a respeito de tempo; o trecho paulino fala do presente e do porvir. A passagem cinematográfica trata de espaço; a passagem bíblica trata de altura e profundidade. Enfim, é evidente a semelhança dos dois fragmentos.

Mas como um homem que não conhece a essência de Deus poderia atribuir um discurso tão coerente e real, à luz da Palavra, a um de seus personagens, uma vez que Christopher, o diretor e co-roteirista do filme, é ateu? Ao analisar essa situação tão peculiar com atenção, subsidiados pelas Sagradas Escrituras, podemos concluir com firmeza que essa é mais uma prova concreta do que Davi, em Salmos, e o apóstolo Paulo, em Romanos, afirmam.

        “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som;  no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo…” Salmos 19:1-4

“Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se…” Romanos 2:14-15

Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis.” Romanos 1:19-20

Os textos referenciados tratam exatamente a respeito do que se chama de revelação natural, ou seja, a manifestação de Deus e da sua glória na natureza, o senso inato de moralidade e o instinto que conduz o homem a adoração de uma divindade. Isso tudo significa que existe uma marca inerente a todo homem, deixada por Deus, mesmo após a queda, que confere a nós a condição de perceber a existência de um Criador Soberano por trás de tão maravilhosa obra que se vê diariamente, ou de atribuir ao amor um significado divino, ainda que não tenham conhecimento da bíblia, como vimos.

É importante ressaltar que, apesar da revelação natural nos agraciar com a sensibilidade de reconhecer que a obra necessita de um Autor, nós não somos naturalmente capazes de nos achegarmos a Deus. A natureza nos convida a adorar o Deus Criador, mas, ainda assim, somos teimosos e orgulhosos, fazendo como o apóstolo diz, mudando a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, isto é, direcionando louvor, que deveria ser dado a Deus, a homens. Por esse motivo, a revelação natural nos torna indesculpáveis, entretanto, em função da queda, é insuficiente para salvar-nos, como atesta a carta enviada aos Coríntios e reitera a Confissão de Fé de Westminster:

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” 1 Coríntios 2:14

  Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação.” 1 Coríntios 1:21

       “Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestam a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação.” CFW 1:1

Deus, na sua infinita sabedoria, com o propósito de revelar-se a aqueles que ele mesmo escolheu, preparou um povo com quem estabeleceria sua Aliança. No Antigo Testamento, Israel, e depois a igreja de Cristo. O Pai se expressou de diversas maneiras durante a história, a fim de que a revelação fosse completa com a chegada do seu Filho. Jesus é a manifestação terminativa de Deus.

Diante de tudo isso, devemos, todos os dias, admirar a obra do Senhor, louvá-lo e agradecer por tão extraordinária composição; vê-lo em tudo o que há, para que reconheçamos sua grandeza e majestade constantemente. É nossa responsabilidade, sabendo que todos são indesculpáveis e conhecendo a eterna revelação que o Pai bondosamente nos concedeu na sua Palavra, pregar a todos as boas novas do Evangelho, com intrepidez, amor e verdade; é nossa responsabilidade ser despenseiros fiéis da glória do Senhor, como espelhos de Cristo, com o objetivo de mostrar a todo homem aquilo que Jesus fez por nós na cruz do calvário.

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