Negue-se

“Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar… Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo. E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres… E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade. Então chegou junto dos seus discípulos, e disse-lhes: Dormi agora, e repousai; eis que é chegada a hora, e o Filho do homem será entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, partamos; eis que é chegado o que me trai.” (Mateus 26:36-46)

Jesus está no Gestsêmani, está em um momento crucial, já à sombra da cruz diante da sua morte. Ele sai do cenáculo com seus discípulos após ter celebrado a páscoa tendo repartido com eles o pão e o vinho, tendo dito “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim… pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados.” Após isto vão ao Getsêmani onde há uma dramatização profunda da angústia de Jesus diante da morte, a oração dEle ao Pai é “se for possível passa de mim esse cálice, todavia não seja feita a minha vontade mas a Tua vontade”.

No momento dessas palavras ditas por Jesus, eu faço uma viagem no tempo, onde tudo começou, no princípio, antes da fundação do mundo. Tento imaginar a Trindade em uma conversa onde o Pai com amor diz “vou criar um ser a nossa imagem e semelhança, com livre arbítrio, mas ele me desobedecerá, e sem saber, usará a liberdade que Nós o demos contra si mesmo.” Neste momento com esta ilustração, imagino Jesus respondendo “ele se voltará contra nós, irá conhecer a morte, porque não é possível viver fora de nós, mas eu vou buscá-lo, vou morrer no lugar dele, me sacrificarei.” Nessa perspectiva, mesmo antes da criação do mundo a cruz de Cristo já estava preestabelecida como condição para que a raça humana pudesse ser criada e os eleitos por pura misericórdia pudessem ter vida eterna junto da Santíssima Trindade, por um único caminho que é o sacrifício de Cristo na cruz.

No Getsêmani, no momento em que Jesus está conversando com o Pai, dizendo “chegou a hora, é realmente necessário, tenho que fazer isso”. Então o Logos Encarnado (João 1:1), age em favor, diz “não” para Si mesmo e diz “sim” para a vontade do Pai. Lá no Jardim do Éden, Adão agiu em nome de toda a humanidade dizendo “não” para Deus e “sim” para si mesmo. “Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra.” João 4:34.

Estávamos completamente mortos, e através deste sacrifício hoje podemos ter vida, e agora através da nossa livre ação devemos negar todo dia a nós mesmos, e dizermos “sim” para a vontade do Pai, assim como Jesus nos ensinou.

“Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.”
Filipenses 2:6-8

O maior ídolo do ser humano é ele mesmo, a sua vontade, o seu sentimento, os seus desejos, as suas necessidades. O “deus” dele atende pelo próprio nome, não gosta que nada o contrarie, que todos façam as suas vontades.

A prova de amor e da santificação é negarmos isso todos os dias, caminhando em cima das pegadas que Cristo nos deixou. “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.”
Lucas 9:23

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