Perseverança dos Santos

Quando se fala a respeito de salvação, é muito comum ouvir que não devemos afirmar possuí-la, que seria presunçoso da nossa parte querer dizer que com certeza vamos para o céu, que isso pertence a Deus e coisas nesse sentido. Diante disso, quais são as doutrinas mais difundidas a respeito desse tema? O que será que realmente a bíblia nos diz sobre isso?

O último dos cinco pontos desenvolvidos por João Calvino é chamado de “perseverança dos santos”, cujo propósito é defender a ideia de que o homem eleito por Deus para a salvação persevera até o fim de sua vida na fé que o Senhor lhe concedeu. Esse ponto é uma conclusão lógica dos outros quatro, que levam de forma didática à essa definição. Logo, de acordo com essa doutrina, uma vez que o Espírito Santo se manifestou no coração do homem, ele nunca mais o deixará.

Já do lado arminiano, entende-se que o homem, por ter direta participação no processo salvífico mediante o livre arbítrio, pode, por meio de obras pecaminosas, rejeitar a Cristo e o seu sacrifício da mesma forma que o recebe. Dessa forma, os seguidores de Armínio sustentam que o homem pode entrar e cair da graça conforme age de acordo ou desacordo com a Palavra de Deus.

A Palavra de Deus fala diretamente com relação a esse assunto:

       “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna” João 3:36a

Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.” João 10:28-29

Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus.” 1 João 5:13

       “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” Romanos 8:16

Torna-se evidente, portanto, ao ler esses trechos, que Deus nos dá conhecimento suficiente com que possamos afirmar com propriedade a respeito da nossa salvação. Vemos que o Espírito de Deus é testemunha dentro de nós mesmos a respeito da fé que Deus nos dá, provando-a individualmente no coração dos que creem. Esta, tem seu caráter divinamente eterno provado pela sua origem. Paulo afirma, em Efésios 2:8, que a fé é um dom gracioso de Deus, portanto, considerando que a recebemos do Pai mediante a morte e ressureição de Cristo, pode-se dizer que não é presunção afirmar a certeza na sua salvação, é ainda um dever, já que, do contrário, estaríamos declarando que o  sacrifício de Jesus foi imperfeito e insuficiente para remir os pecados daqueles que Deus o entregou.

Isso não anula a possibilidade do eleito eventualmente se afastar dos caminhos do Senhor, mas rompe sim com as chances de que esse afastamento seja perpétuo, isento de disciplina da parte de Deus e sem arrependimento. Há a eventualidade de que homem pode peque e siga caminhos diferentes dos que a Bíblia preceitua, entretanto não pode ficar indefinidamente neles e muito menos passar por esse momento livre da mão do Senhor lhe ensinando lições e lhe mostrando novamente as coordenadas.

Em face de tudo isso, podemos proclamar com toda a certeza, com base nas Sagradas Escrituras, por meio da fé que temos no sacrifício do Cordeiro Pascal, que temos a salvação. Isso é motivo de alegria perene nas nossas vidas e razão mais que suficiente para que preguemos a Palavra a toda criatura.

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