Doutrina dos Relacionamentos

Esse será o primeiro de uma série de três posts a respeito do que eu gosto de chamar de “Doutrina dos Relacionamentos”. Basicamente, essa “doutrina” trata da importância e da posição que a Bíblia nos demanda quando se trata dos três diferentes tipos de relação às quais estamos submetidos: com Deus, com o próximo e com nós mesmos. Vamos, em cada post, abordar um deles, explorando melhor o nosso papel – ou a característica que devemos desenvolver – enquanto cristãos em face dos desafios e das diferentes atitudes com que temos que lidar; além de visualizar claramente o que as escrituras nos exortam a fazer e como nos comportar em cada situação e relacionamento.

Vamos começar, portanto, tratando do nosso relacionamento com nós mesmos. Relacionamo-nos em todos os momentos com nosso próprio eu e com nossas peculiaridades, conhecendo, portanto, cada pequeno traço de nós mesmos. Pode-se dizer que é a nossa relação mais “simples”, já que lidamos com nosso interior desde sempre e, obviamente, temos um conhecimento profundo de nós mesmos. Porém, ainda que seja a relação mais “fácil”, ela esconde consideráveis conflitos que não podemos de forma alguma negligenciar.

Podemos ressaltar como a principal batalha, que travamos internamente todos os dias, a nossa luta contra o pecado. Esse tema, especificamente, já foi tratado no post “Os Inimigos Do Cristão”, é uma boa ideia ir lá dar uma olhada pra saber um pouquinho mais sobre o assunto. Nesse cenário de conflito, identificamos um extremo perigo, exatamente por se tratar de um combate que acontece dentro de nós e, por isso, muitas vezes nos negamos a crer que acontece. Mas a Bíblia é contundente quando afirma que somos naturalmente pecadores (1), que não podemos ceder a esse mal (2) e que há uma luta que acontece dentro de nós (3).

Como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, a uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” Romanos 3:10-12 (1)

Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.” 1 Timóteo 6:11 (2)

“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça.” Romanos 6:12-13 (3)

Uma vez que verificamos na Palavra que a nossa relação íntima envolve uma batalha entre nosso espírito e nossa carne, precisamos saber como devemos nos portar diante dessa questão. Não é necessário um estudo extensivo para percebermos que a principal virtude que permeia toda a Escritura Sagrada, no que concerne à relação do homem consigo mesmo, é a piedade – ou santidade. Deus requer que manifestemos um coração santo na nossa vivência diária, Ele deseja que nós busquemos sempre alimentar nosso espírito a fim de que a nossa carne pecaminosa perca essa guerra em todas as suas menores batalhas. Essa deve ser a nossa relação com o nosso eu: uma busca incessante por fortalecer nosso espírito, visando a piedade que Deus nos apresenta e demanda na Bíblia.

Gostaria de terminar esse primeiro estudo com a definição de João Calvino para piedade, que não diz nada além dos sentimentos e atitudes que nos movem em direção a um coração santo.

“A verdadeira piedade consiste em um sentimento sincero que ama a Deus como Pai, ao mesmo tempo em que o teme e o reverencia como Senhor, aceita a sua justiça e teme ofendê-lo mais do que teme a morte” João Calvino

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