A Reforma Protestante

Hoje comemoramos os 499 anos da Reforma Protestante, dia este o qual foi escolhido em função da sua representatividade no cenário reformador: foi o dia, no ano de 1517, em que Martinho Lutero – notável ator do processo de reforma – pregou na porta da catedral de Wittenberg as suas 95 teses recém-escritas, texto onde ele descrevia e criticava abertamente os posicionamentos da igreja que contradiziam os preceitos bíblicos.

O principal foco das propostas apresentadas por Lutero não era de dividir a igreja, como aconteceu, mas sim de reformá-la; entretanto, o alto clero da época, preocupado com as consequências que uma reforma poderia trazer para a instituição eclesiástica que detinha um poder indescritível à época, decidiu por condenar o monge reformador como herege notório. Uma vez que percebeu que sua sugestão inicial não seria possível, Lutero, exilado, passou a traduzir a Bíblia do latim para o alemão, com o propósito de torná-la acessível a todos os fiéis, ato que se tornou uma das grandes marcas da reforma. Neste contexto, toda a Europa ocidental passou a ser afetada pelo sentimento reformador e focos doutrinários diferentes começaram a surgir em países como França, Suíça, Escócia e Inglaterra. Torna-se evidente, portanto, a extrema importância dessa data para o universo cristão, visto que a partir dela é que se desenvolveram uma série de outras denominações da igreja de Cristo, entre elas as igrejas batista, luterana e presbiteriana.

A reforma teve como base doutrinária central os famosos “Solas da Reforma”, sobre os quais fizemos uma série de posts no ano passado (confere lá!), que pregavam a busca pela suficiência das Escrituras, da graça do Pai, do louvor somente a Deus, da em Jesus e do próprio Cristo como salvador. Esses pontos resumiam, de forma muito didática e profunda, o sentimento que preenchia toda a reforma protestante: a busca incessante a Deus e a Ele somente.

Gostaria de terminar essa breve apresentação histórica em reconhecimento e memória a um dos movimentos mais importantes do segundo milênio com uma citação de Yago Martins – um jovem teólogo batista da atualidade – que nos faça verdadeiramente refletir a respeito do significado de toda a reforma e do propósito que ela cumpre em nossas vidas. Devemos nos perguntar se estamos tratando com dignidade esse processo tão fundamental na construção da fé que pregamos hoje ou se simplesmente nos vangloriamos por um conhecimento que não nos é espiritualmente útil.

                  “A reforma protestante é uma placa. Ela não aponta para si, mas para a Bíblia. Ser reformado é buscar ser bíblico. Comemorar a reforma é comemorar as escrituras. Apontar mais pra Reforma que para a Bíblia é pecar contra o espírito da Reforma. Dizer-se reformado, curtir página reformada, ser de igreja reformada, mas não viver com os olhos fitos na Escritura, é ocupar escola a favor da educação e faltar as aulas pra jogar baralho. Os reformadores são a estrada, mas o alvo é a Palavra de Deus. Não pare no meio do Caminho. Feliz 499 anos da Reforma Protestante.” Yago Martins, 2016.

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