Doutrina dos Relacionamentos

Esse será o segundo de uma série de três posts a respeito do que eu gosto de chamar de “Doutrina dos Relacionamentos”. Basicamente, essa “doutrina” trata da importância e da posição que a Bíblia nos demanda quando se trata dos três diferentes tipos de relação às quais estamos submetidos: com Deus, com o próximo e com nós mesmos. Vamos, em cada post, abordar um deles, explorando melhor o nosso papel – ou a característica que devemos desenvolver – enquanto cristãos em face dos desafios e das diferentes atitudes com que temos que lidar; além de visualizar claramente o que as escrituras nos exortam a fazer e como nos comportar em cada situação e relacionamento. Leia o primeiro texto, que trata do nosso relacionamento com o nosso eu, para entender o tema de forma mais completa.

Note que o propósito deste texto não é explicar minuciosamente as outras relações que estão incluídas no texto base de Mateus, nem falar de forma especifica a respeito do amor em si, muito menos destrinchar de maneira expositiva a fala de Cristo que resume os dez mandamentos, mas sim apresentar a visão bíblica da nossa função, enquanto seguidores de Jesus, nas relações interpessoais que desenvolvemos nos nossos círculos relacionais.

Dessa vez, trataremos das relações que travamos com o próximo. É o tipo de relacionamento que nos define como seres sociais – assim como o primeiro texto fala do que nos define como individuais e o próximo falará do que nos define como espirituais – portanto, indispensável na nossa vivência diária e essencial para o cumprimento dos mandatos divinos. O Pai revela a Moisés os seus mandamentos fundamentais, cujo propósito é guiar a conduta do seu povo, que depois são sabiamente resumidos por Jesus no evangelho de Mateus:

“Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” Mateus 22:36-40

Assim, Cristo apresenta como ponto chave em uma vida cristã autêntica o amar o próximo com a nós mesmos; mas quem é que chamamos de nosso “próximo”? O próprio Jesus, no capítulo dez do livro de Lucas, responde essa pergunta com a conhecida parábola do bom samaritano, texto onde um viajante judeu que foi maltratado na estrada recebe ajuda de um samaritano, povos estes que tinham uma forte rivalidade entre si, apontando, dessa maneira, que nosso próximo é toda e qualquer pessoa que nos cerca, independente da situação ou de qualquer inimizade, sem fazer acepção de pessoas. E as Escrituras são extremamente contundentes quando se trata desse assunto, abordando de forma muito clara o nosso papel, enquanto conhecedores da Palavra de Deus e arautos desse Evangelho, de amar o nosso próximo, seja ele irmão na fé ou não.

“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Gálatas 5:14-15

 

“Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem; se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo argüidos pela lei como transgressores.” Tiago 2:8-9

“Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados.” 1 Pedro 4:8

Tendo isso em mente, é evidente a característica que devemos desenvolver no relacionamento com o nosso próximo enquanto crentes em Cristo Jesus: a misericórdia. É nosso papel progredir no exercício da misericórdia para com todos os que estão à nossa volta, sendo servos uns dos outros pelo amor, seguindo o exemplo de Cristo – ao amar os outros como ele mesmo nos amou – e aplicando a compaixão no nosso dia-a-dia, a fim de crescer espiritualmente e no conhecimento do próprio Deus. E não há maior forma de demonstrar o amor de Cristo por nós do que apresentá-lo àqueles que não o conhecem, portanto pregue o nome de Jesus e faça com que os outros vejam-no em você e na sua vida, para que assim o amor dEle e a sua graça sejam cada vez mais derramados nas nossas vidas e nos nossos relacionamentos enquanto filhos do Deus Supremo.

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