Não basta crer

“…Tendo despedido a multidão, subiu sozinho a um monte para orar. Ao anoitecer, ele estava ali sozinho, mas o barco já estava a considerável distância da terra, fustigado pelas ondas, porque o vento soprava contra ele. Alta madrugada, Jesus dirigiu-se a eles, andando sobre o mar. Quando o viram andando sobre o mar, ficaram aterrorizados e disseram: “É um fantasma! E gritaram de medo. Mas Jesus imediatamente lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo! “Senhor”, disse Pedro, “se és tu, manda-me ir ao teu encontro por sobre as águas”.
“Venha”, respondeu ele. Então Pedro saiu do barco, andou sobre a água e foi na direção de Jesus. Mas, quando reparou no vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me! (Mateus 14:23-30)
Esse é um texto comum, onde geralmente falam a respeito da falta de fé que temos em acreditar que Jesus pode nos fazer andar sobre nossos medos, nossas tribulações, nossas angústias e dificuldades. Mas existe outra abordagem a respeito desse texto.

Pedro era um seguidor de Jesus, um discípulo, que possuía a vontade de ser igual a Ele, e isso o próprio Jesus prometeu que faria com cada um de seus seguidores. Pedro teve uma reação esperada ao pedir para andar sobre as águas também, “Senhor, se tu podes, eu também posso, então basta que o Senhor mande que eu irei.” então Jesus o desafiou a ir.

Pedro foi, talvez tenha sido o único ser humano a ter experimentado essa sensação, ele andou sobre as águas, mas quando viu o vento, começou a afundar, teve medo e gritou pedindo ajuda “…Senhor, salva-me!” E Jesus quando o salva, faz uma crítica “Imediatamente Jesus estendeu a mão e o segurou. E disse: “Homem de pequena fé, porque você duvidou? (Mateus 14:31)

O único homem a andar sobre as águas, Jesus afirma ser um homem de “pequena fé” e o acusa de ter duvidado. Isso pode soar com um paradoxo para nós, mas a pergunta é: Do que realmente Pedro duvidou? Não foi de Jesus, do poder dEle e nem de sua autoridade, Pedro talvez tenha duvidado de si mesmo, duvidado de que era capaz de andar sobre as águas.

Com essa passagem, podemos aprender também que crer em Jesus não é um fator que diferencia uma pessoa eleita de outra, o que realmente diferencia um discípulo de Jesus de qualquer outra pessoa, é que o discípulo não apenas crê em Jesus, mas acredita no poder dEle capaz de transformá-lo e fazer dele alguém igual ao próprio Jesus.

A vontade do discípulo é ser igual ao seu senhor, a ambição do discípulo é ser igual ao seu mestre. O “afundar” de Pedro pode ser uma analogia a nós que por vezes duvidamos do poder dEle para nos curar, libertar de nossos pecados e nos purificar apesar de nossa natureza caída, ou quando perdemos o foco em  tentar seguir os passos de Jesus.  Em outras palavras o que Jesus estava querendo dizer é “Pedro, você duvidou. Duvidou de você mesmo e também de Mim, que Eu seria capaz de fazer de você alguém igual a Mim.” Não basta apenas crer, e sim ter fé e confiar em Jesus, acreditando que pode nos transformar em pessoas iguais a Ele.

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