Os fundamentos: Criação

O presente texto é o segundo de uma série sobre Cosmovisão. Nele, abordaremos sobre o primeiro dos fundamentos que devem ser inerentes à nossa maneira de ver o mundo e o que acontece ao nosso redor.

Nessas linhas buscarei explicar, de forma simples e compacta, alguns pontos basilares. Portanto, por se tratar de um texto relativamente curto, incentivo o leitor a buscar obras mais profundas para que você possa ampliar seu conhecimento a respeito do tema. Também sugiro uma reflexão, buscando enxergar a realidade por meio dos conceitos aqui tratados, analisando suas possibilidades e dialogando com os pensamentos predominantes na sociedade. Não se satisfaça com uma leitura rápida. Pare um pouco e tire suas conclusões.

É necessário destacar também que qualquer conceito, valor ou ideia deve estar baseado nas Sagradas Escrituras, sendo elas a revelação escrita da Verdade e Vontade do próprio Deus (a Verdade Objetiva).

“Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela…”. Confissão de Fé de Westminster, Capítulo I- Da Escritura Sagrada. VI.

Tendo isso em mente, precisamos entender que existem alguns pontos essenciais à nossa Cosmovisão, que lançam as bases para nossa interpretação da realidade. São eles: Criação, Queda, Redenção e Consumação. Neste post, vamos estudar a respeito do primeiro fundamento: Criação.

É onde tudo começa. Responde àquela velha pergunta: de onde viemos? A Bíblia nos diz que aprouve ao próprio Deus, segundo Sua Sabedoria, criar do nada, o mundo e tudo o que nele há (Gênesis 1 e 2). Podemos observar alguns fatos importantes sobre a Criação:

1) Tudo foi criado para a glória de Deus (Romanos 11:36).

A Bíblia nos afirma que tudo foi criado bom e perfeito. Quanto mais a ciência avança em suas descobertas a respeito da natureza e do homem, mais ficamos deslumbrados com a complexidade, simetria e harmonia presente no universo criado. O salmista diz que os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos (Salmos 19:1). Todo o esplendor e a excelência da Criação refletem o caráter de Seu Criador.

Porém, a ideia de Criação e de uma Mente Criadora contradiz várias linhas de pensamento que estão bem presentes na sociedade atual, como por exemplo: o naturalismo (no qual tudo se resume a processos naturais, desprezando qualquer ideia de divindade e criação) e também discorda do niilismo (doutrina na qual as verdades morais e a hierarquia de valores são negadas), já que se Deus é o Criador de todas as coisas, Ele é quem dita os padrões às suas criaturas.

A Palavra nos conta que não somos obra de vários eventos que aconteceram ao acaso. Fomos criados para um propósito.

2) Fomos feitos à Sua imagem e semelhança (Gênesis 1:27).

Existem várias características humanas que nos diferem do restante das criaturas: Somos seres que buscam (e precisam) se relacionar. Somos dotados de razão, raciocínio lógico e pensamentos pelos quais podemos conhecer e entender aquilo que nos rodeia. Somos dotados de vontade e temos a capacidade de escolher. Temos uma moral que nos guia. Temos uma imensa capacidade criativa. Somos sensíveis à beleza e etc.

Tais qualidades, ainda que afetadas pelo pecado, remetem à nossa origem, o modo pelo qual fomos criados.

 O fato de sermos a imagem e semelhança do próprio Deus nos confere um senso de dignidade e igualdade entre os seres humanos que fazem parte daquilo que somos enquanto criaturas e que devem pautar nossas ações e pensamentos para com o nosso próximo (Tiago 3:9).

Pense um pouco, em algumas questões que têm assolado nossa sociedade como a violência, aborto, racismo e etc. A crença de que o ser humano carrega essa dignidade e igualdade, decretada pelo próprio Deus, não seria relevante?

3) Temos o dever de usufruir e zelar pela Criação ( Gênesis 1:26-29 e 2:15-16).

Deus nos criou para dominar, cultivar e guardar.

Dominar: Deus nos deu a Sua Palavra e a capacidade cognitiva de observar e adquirir conhecimento sobre como as coisas funcionam à nossa volta.

Cultivar: Tendo em posse o conhecimento do funcionamento das coisas, podemos ter mais cuidado e efetividade em nossas ações.

Guardar: Devemos guardar a criação da corrupção do pecado, tendo um cuidado baseado em princípios bíblicos.

Ele nos fez mordomos de sua Criação. Deus nos fez seus “gerentes”. Esse é o nosso mandato cultural.

Este termo refere-se à nossa relação para com a natureza e as coisas criadas. Apesar da Queda do homem (assunto do próximo post), o homem ainda carrega a responsabilidade de administração da Criação.

Porém, o mandato cultural vai muito além do cuidado com o meio ambiente. Como o próprio nome já diz, ele tem uma abrangência cultural. Deus nos fez para sermos produtivos em nossas culturas e Ele deve ser glorificado em qualquer coisa que fizermos (1 Coríntios 10:31). Família, governo e igreja são alguns exemplos de instituições que o próprio Deus estabeleceu e que devemos direcioná-las de acordo com Sua vontade, expressa nas Escrituras.

Como disse no início do post, peço que você, leitor, reflita um pouco a respeito do que resumi nas linhas que escrevi. É preciso muito mais o que uma leitura ligeira para mudar nosso modo de perceber a realidade. As verdades bíblicas precisam estar firmes e claras em nosso coração, para que possamos mudar nosso modo de agir.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.