Os Fundamentos: Queda

O texto que você vai ler é o terceiro texto de uma série que trata sobre Cosmovisão. (Caso ainda não tenha lido, sugiro que leia, primeiramente, aqui e aqui os posts anteriores para uma melhor compreensão do tema). Nas linhas seguintes, abordaremos o segundo fundamento de uma cosmovisão bíblica: a Queda, e tentaremos dialogar com alguns pensamentos que estão presentes na sociedade.

No post anterior, vimos que tudo foi criado bom e com o propósito de glorificar o Criador. A natureza e o homem eram perfeitos, pois refletiam com excelência a glória do próprio Deus (Salmos 8:5, Salmos 19:1 e Romanos 1:20).

Porém, apesar de toda a beleza e grandiosidade presente no mundo criado, precisamos reconhecer que há algo de errado nele e conosco, como humanidade. É o problema do mal.

Vejamos a como A Confissão de Fé de Westminster relata a Queda:

“I. Nossos primeiros pais, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, pecaram ao comerem do fruto proibido. (…)

II. Por este pecado eles decaíram de sua retidão original e da comunhão com Deus, e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as faculdades e partes do corpo e alma.” (Capítulo VI. Da Queda do homem, do pecado e do seu castigo).

E a transgressão foi tal, que a natureza pecaminosa foi passada de geração em geração (Salmos 51:5, Romanos 5:12 e 1ª Coríntios 15:21).

Vamos ver alguns fatos:

1) A queda afetou a fonte, o coração do homem: (Jeremias 17:9 e Romanos 3:10-18). Essa é uma das verdades bíblicas mais basilares: o homem é mal por natureza. É um problema radical, está ligado á raiz. Após a Queda, o homem se corrompeu de tal forma que sua inclinação natural é para a prática do pecado.

É uma verdade difícil de admitir, pois vivemos em uma sociedade secularizada onde há a ideia de que o homem nasce bom, é a sociedade que o corrompe. Fazendo isso, tiramos a responsabilidade sobre nossos erros e jogamos a culpa em fatores sociais externos. Acreditar que o homem é naturalmente mau não quer dizer que fazemos coisas más o tempo todo ou que somos tão maus quanto poderíamos ser. A depravação é “total” no sentido de abrangência dos efeitos da Queda. A corrupção alcançou e afetou todas as dimensões do ser humano: psicológica, social, espiritual física, emocional e etc.

O pecado se instalou como um parasita em nosso íntimo, afetando nossa vontade e nossas ações de tal forma que não temos em nós mesmos a capacidade de mudar essa inclinação. Por isso precisamos de um Salvador. Essa mudança só pode ser feita pelo próprio Deus (Ezequiel 11:19-20 e 1ª Coríntios 2: 12-14).

2) A Queda tem um caráter cósmico: A transgressão humana não afetou apenas o coração do homem, mas afetou a natureza criada também (Gênesis 3:17-18 e Romanos 8:19-22). O pecado também causou danos à natureza criada, já que Adão era o administrador e estava responsável pelo cuidado o Jardim. Deus então profere a sentença: “…maldita é a terra por tua causa…ela produzirá também cardos e abrolhos…”(Gênesis 3:17-18). O estado atual do mundo natural não é igual à forma como Deus o criou.

3) O pecado afetou o homem e a Criação quanto ao seu fim principal: Ao corromper as coisas criadas, a natureza e o homem deixam de refletir com exatidão a glória e caráter de seu Criador (Romanos 3.23). Devido o pecado, a raça humana e a natureza decaíram de sua retidão e bondade original, passando a não mais exibir a beleza e a santidade de seu Designer. Mas, agora apresenta corrupção, dor e morte como consequências da rebeldia humana.

Precisamos entender que não somos inclinados naturalmente para o bem, por mais que muitas vezes queiramos praticá-lo por força de consciência (Romanos 2:15). Necessitamos compreender que toda corrupção e mal presentes em nós e no mundo são resultado do pecado, que destrói a beleza e a glória das coisas criadas.

Portanto, por meio de uma cosmovisão baseada nas Escrituras, é possível enxergar tanto as belezas da Criação quanto os estragos causados pela Queda.

 

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