Os Fundamentos: Nosso Papel

O texto que se segue é um complemento ao anterior, buscando focalizar mais em nossa responsabilidade e deveres dentro do conceito de Redenção.

No texto Redenção, vimos que somos redimidos apenas pelo sacrifício de Cristo, e que não temos nenhuma participação (mérito) nesse processo.  Mas, ainda que salvos por Cristo para vivermos para a eternidade, não perdemos a responsabilidade para com esse mundo caído.

Entretanto, um dos maiores problemas que, como cristãos, enfrentamos é a dicotomia entre o sagrado e profano. Devido esse pensamento, tendemos a nos tornar um dos dois extremos: separatista ou secularista.

O separatista prega que devemos nos afastar a todo o custo da cultura, pois ela é má e profana. Essa visão rompe qualquer perspectiva de diálogo para com as ideias que predominam no mundo atual, esquecendo, muitas vezes, de oferecer soluções baseadas na Palavra que são tão necessárias para as pessoas nos dias de hoje.

Outro extremo ao qual tendemos a ceder é o secularismo, no qual absorvemos sem filtros críticos a cultura que nos cerca. Acabamos adotando práticas e ideias sem antes analisar se estão em conformidade com a Palavra de Deus.

Em oposição aos dois extremos acima citados, somos chamados para ser sal e luz, fomos redimidos para sermos testemunhas e proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para Sua maravilhosa luz (1ª Pe 2:9).

Então, como ter uma atitude crítica frente à cultura? Como agir nesse mundo caído como reformadores?

Leia Atos 17:16-34 (O discurso de Paulo em Atenas)

Temos muito a aprender com a atitude de Paulo para com a cultura daquela época. Ele não se cala frente à idolatria daquela cidade e começa a pregar (v. 17). Paulo não ficou com medo ou receio de confrontar a cultura e de debater com os filósofos, levando a Verdade àquelas pessoas.

Diante da cultura o cristão não pode nem se alienar nem se secularizar

Durante esse episódio em Atenas, o apóstolo não se afasta nem se acovarda frente à cultura daquele local. Muito menos se deixou levar por ela. Ele estava revoltado diante do pecado da idolatria (v.16), e isso o levou a falar sobre a verdade para aquele povo (v.17), não com objetivo de criticar e julgar, mas para levar esperança através do evangelho (v.30 e 31). Ao mesmo tempo que denunciou o pecado de idolatria do povo, mostrou o caminho certo a seguir.

Ponto de contato

Paulo, ao iniciar seu discurso no areópago, usa de um ponto de contato com a cultura local (“O DEUS DESCONHECIDO” – v.23) para mostrar a Verdade Àquele povo.

Essa atitude de Paulo pode nos ensinar muito, pois muitas vezes tendemos a condenar coisas que em si não são ruins, pelo fato de estarem sendo direcionadas ou utilizadas de modo equivocado. Paulo usa da atitude religiosa do povo ateniense (v.22), que estava sendo equivocadamente direcionada (idolatria), para anunciar o Deus verdadeiro e Sua salvação para os homens (vs.26-31).

A atitude cristã

Cristo, sempre buscou pregar a Verdade de forma inegociável em seu ministério terreno. Porém, sempre falou em amor, não buscando condenação, mas anunciando a sua salvação para todos aqueles que viessem a crer nele.

Nossa atitude frente à nossa cultura e às pessoas deve ser a de soldado e médico.

Devemos sempre estar atentos e vigilantes, como soldados, aos perigos desse mundo, não nos conformando ao pecado e com os padrões mundanos e entrando em confronto com a cultura, quando necessário.

Mas, não podemos deixar de sermos prestativos e cuidadosos, como médicos, buscando ganhar as pessoas por meio do serviço e do amor.

Da mesma forma que Cristo o fez, precisamos ter um equilíbrio em nossa forma de agir perante o meio em que vivemos e para com as pessoas. Precisamos de Sabedoria vinda dEle para podermos discernir como agir em cada situação.

Precisamos entender nosso papel como reformadores, como agentes de reforma no mundo criado, que, baseados na Palavra, podemos influenciar os demais pelo nosso modo de viver.

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